“O tempo passa. Mesmo quando parece impossível. Mesmo quando cada batida dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim.
“Em meio à tantas lágrimas que rolavam em seu rosto, ela tinha um motivo pra sorrir, e o motivo era ele.
“Ela andava pela rua em baixo da chuva com o seu casaco preto, não sabia pra onde ia, não tinha rumo, ela apenas desejava que a chuva tirasse toda a sua dor. Chegou em casa molhada dos pés a cabeça, seus cabelos pingando marcavam o caminho por onde percorria, tomou um banho gelado e mesmo tremendo de frio não se importava, estava congelada por dentro e nada mais fazia diferença. Então vestiu a camisa dele, aquela que ele deixou jogada no sofá com o seu cheio, ligou o som baixinho e o ar condicionado antes de se encaixar em baixo do cobertor. E por ali ficou, durante quanto tempo ninguém sabe, mas todos sabiam que ela fazia isso todos os dias, na esperança de um dia a sua dor sumir ..
Paula Moura.
“Devemos aprender que, para curar uma ferida, você tem que parar de tocá-la.
“Tá surrado aquele coração. Tá pisado, quebrado, maltratado, machucado e destruido. E não se encontra solução acessivel para tamanho estrago. Quisera ela arrancar, doar, descartar, substituir. Quisera tanto, tanto, que se achou capaz… Mesmo não sendo se achou capaz. E isso a fez entender que não é bem assim que as coisas são. Você não simplesmente pode livrar-se do mal se é ele o único capaz de fazer-lhe o bem.
“- eu preciso te contar uma coisa.
- O que? Pode falar.
- Eu te amo.
- awn que lindo, eu também te amo.
- Desculpa, 1º de abril.
Paula Moura.
“Se houver um amanhã, podemos plantar ou colher frutos. Se houver um amanhã, podemos inventar um amor e viver baseado nessa melosidade que é, podemos ir ao parque e abrilhantar os olhos dos carentes. Se houver uma história, que escrevamos-a com carinho e com precisão, sem exitar e se preocupar. Se houver um amor, que cuidemos dele de tal forma para que não canse e jamais fuja de nossas mãos. Se houver palavras, que nós as digamos com muito carinho e com a dose certa de calma. Se houver uma vida totalmente nossa, que vivamos-a com todas as esperanças possíveis, que saibamos sonhar independente da queda. Que aprendamos a conservar o que nos faz bem. Que aprendamos a sorrir, e abraçar alguém. Que sejamos gentis, pois isso não mata ninguém! Que saibamos, independente de tudo, ter um amor e que sejamos humanos o suficiente para cadastrá-lo e guiá-lo por toda uma vida.
“E a noite esfriou. E não tinha nenhum cobertor para me esquentar.
Paula Moura.